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Destaques

LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

J. A. Lucas Guimarães ┐ ♥ ┌ Sob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21,  intitulada: JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?”   Esboços de retratos calvinianos O rganizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, encontra-se a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta literatura legada à posteridade, com a íntegra apresentação do Evangelho de Cristo pela fiel exposição bíblica. Porque já se distanciam os limites dos 500 ano...

O FILME VIDA E O LEGADO SOCIOPOLÍTICO DE JOÃO CALVINO

 
J. A. Lucas Guimarães

Em 2017, entre as estreias nos cinemas, o filme sob título original “Life” (lançado no Brasil com o título “Vida”), dirigido por Daniel Espinhosa e roteiro de Rhett Reese e Paul Wernickde, foi uma excelente oportunidade aos amantes de ficção científica de apreciarem uma produção cinematográfica com boa classificação da crítica especializada. No entanto, uma inesperada constatação antes da sequência de suspense, que até o momento não ocorreu manifestação de registro, mas o impossível ao Calvino21 não verificar esse fato: da profunda influência do legado de João Calvino (1509-1564) à dinâmica estruturante da sociedade moderna, que revelaria um detalhe em destaque no roteiro do mencionado filme em cartaz.

O filme Life (2017)

Sob o gosto de pipoca, acompanhava a ambientação inicial do enredo, que levaria à sequência de cenas definidoras do gênero e da proposta da produção. Seis astronautas na Estação Espacial Internacional, de diferentes nacionalidades, a espera de interceptação da sonda enviada à Terra com amostra coletada em Marte de um ser unicelular, realizam as manobras finais com vista ao sucesso do empreendimento. Esse poderia ser o primeiro contato humano com vida fora do planeta. O protocolo é rigoroso em um aspecto. Na impossibilidade de interceptação bem-sucedida da amostra, era imperativo empreender todo esforço para a desviar às profundezas do Sistema Solar e evitar o acesso à Terra. Mas a perícia dos astronautas é recompensada com a interceptação da amostra do ser unicelular alienígena ao laboratório na Estação. Pelo fato de ser a descoberta do primeiro ser vivo fora da Terra, tornou-se palco de intensa celebração. Participante do Concurso à escolha do nome do ser alienígena, as crianças da Escola Calvin Coolidge, o colégio americano com a sugestão de nome eleita, o batizaram de “Calvin”. A criança que anunciou o resultado fez saber que o nome eleito haviam sido escolhido, a concorrer no Concurso, em homenagem à propria escola. Imediatamente à audição do nome anunciado, ocorreu-me um insight sensitivo de historiador, como se tivesse encontrado ouro em lodo, como diria o reformador Martinho Lutero (1483-1546), que exigia resposta ao destaque de um nome não popular, mas muito específico na historiografia protestante mundial, à singular homenagem no roteiro do filme.

O nome “Calvin” (em português, Calvino) encontra-se mundialmente vinculado à identificação do reformador protestante francês do século XVI, que marcou época como pastor da cidade de Genebra (Suíça) e suas ideias contribuíram enormemente na construção da sociedade moderna. Sendo um personagem histórico numa posição privilegiada no início da Era Moderna e mundialmente conhecido, como se cada língua tivesse seu próprio reformador francês, ocorre das principais línguas faladas no mundo possuírem sua própria tradução de seu nome, a exemplo da língua inglesa, reportado no filme, a saber: John Calvin. Assim, portanto: João Calvino (português), Jean Calvin (francês), Juan Calvino (espanhol), Johannes Calvin (alemão), dentre outros.

Tinha-se, então, no início da projeção do filme, que a escola homenageada com a eleição de seu nome ao ser vivo alienígena, despertado pelo Dr. Hugh Derry no laboratório da Estação Espacial Internacional, por sua vez, tem nome em homenagem ao vulto da história política americana John Calvin Coolidge Jr. (1872-1933): advogado de Vermont, político republicano, congregacionalista, 30º presidente dos Estados Unidos (1923-1929), único presidente americano nascido no Dia da Independência do país (4 de julho) e que em homenagem ao seu pai deram-lhe o mesmo nome. Desde o Ensino Médio, ele se tornou conhecido apenas como Calvin Coolidge. Em 1905, Coolidge casou-se com a professora Grace Anna Goodhue, com quem teve dois filhos: John Coolidge e Calvin Coolidge.  Apesar de personalidades opostas foram felizes no casamento, como se pode concluir da declaração do próprio Coolidge, em sua biografia: Achamos que fomos feitos um para o outro. Por quase um quarto de século, ela suportou minhas enfermidades e eu me alegrei em suas graças. Quando se refere sobre as graças da esposa, refere-se ao fato dele ser quieto e sério, enquanto ela era falante e extrovertida.

Descendente de família puritana (calvinista) da Nova Inglaterra, que imigraram da Inglaterra antes da metade do século XVII. Nascido numa região de rigor prático nos ensinos calvinistas e congregacionalista, Calvin Coolidge procurou conformar sua prática política à ética calvinista, que inegavelmente contribuiu no feito político que o tributa como responsável pelo resgate da confiança na política da Casa Branca, perdida na gestão anterior.

Retrato oficial de John Coolidge (1924)

Coolidge legou o nome em inglês do reformador protestante francês de seu pai que, por sua vez, havia recebido como homenagem de seus pais àquele que, pelo ensino da fé cristã, norteava a filosofia, valores e identidade da sociedade local, servindo-lhes de instrumentais ao bem-comum, à liderança política em prol do combate a deterioração da cultura e empreendimento financeiro sob o direito à propriedade como valor social. O editor e escritor americano William Allen White, em sua biografia sobre Calvin Coolidge, intitulada A puritan in Babylon: the story of John Coolidge (1938), escreveu: “Coolidge, honesto e direto, desejando representar os eleitores de seu distrito, sempre foi calvinista, puritano, nascido com uma convicção sobre a santidade da propriedade. O autor defende que Coolidge encontrou em Northampton, sua cidade natal, uma atmosfera que valorizaria e preservaria suas virtudes. O motivo oportuno disso, Write pontua:

Northampton, em meados dos anos noventa do século XIX, estava desenvolvendo econômica e politicamente a tese puritana que Jonathan Edwards e Cotton Mather em sua época declararam como um credo religioso. Tudo o que a continência fez por meio da parcimônia e poupanças prudentes, toda aquela conduta piedosa garantida no caminho da prosperidade material, toda aquela vida santa em mansidão, frugalidade e piedade retornada aos homens que mantinham seus olhos na chance principal, estavam vindo de flor em fruto no oeste de Massachusetts naqueles dias. Northampton, uma cidade industrial, estava percebendo que a filosofia de João Calvino, [Jonathan] Edwards e [Cotton] Mather produziria propriedade. Embora o aumento da propriedade tenha sido negado no momento pelo pânico e pelos tempos difíceis do início dos anos noventa, ela ainda era mantida em reverente estima; e Northampton tinha como verdade que trabalhar e economizar eram as mais altas virtudes humanas.

Vinculado ao nome do reformador João Calvino por legado de seu pai, adesão maior vivenciou Coolidge ao reformador francês pela profissão de fé cristã calvinista. Ele respirou o ar puro das ideias sociopolíticas calvinianas, que sopravam em sua terra natal e fortaleceu cada músculo de sua determinação pelo exercício da fé cristã, como parte na comunhão da comunidade calvinista local. White observa: Naquele mundo, com passos curtos e rápidos, com um corpo ligeiramente rígido, dando-lhe no andar uma postura de sólida integridade, Calvin Coolidge caminhou circunspectamente diante do Senhor, seguindo a lei. Segundo o historiador francês Lucien Febvre (1878-1956), a grande obra histórica de Calvino foi “educar homens”, pela qual criou o tipo humano calvinista.” Esse tipo de humano calvinista, forjado pela confissão de fé calvinista, é inabalável em seu interior e organizador do mundo exterior, sob a postura de serenidade emocional. Calvin Coolidge foi parte dessa geração! Ele é prova da validade prática, pertinência histórica e atualidade política do pensamento calviniano.

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 ♥  Autoria   J. A. Lucas Guimarães é organizador do Blog Calvino21, historiador-docente, pastor presbiteriano, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM/SP) e jornalista-escritor, com várias obras publicadas sobre João Calvino, dentre as mais recentes: Calvino, Ciência e fake news e João Calvino: quem dizem que sou?

Referência autoral   GUIMARÃES, J. A. L. O filme Vida e o legado sociopolítico de João Calvino. Calvino21. São Vicente, 28 de mar. 2025. Disponível em: <https://www.calvino21.com.br/2025/03/o-filme-vida-e-o-legado-de-joao-calvino.html>.

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