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Destaques

LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

J. A. Lucas Guimarães ┐ ♥ ┌ Sob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21,  intitulada: JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?”   Esboços de retratos calvinianos O rganizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, encontra-se a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta literatura legada à posteridade, com a íntegra apresentação do Evangelho de Cristo pela fiel exposição bíblica. Porque já se distanciam os limites dos 500 ano...

COMENTÁRIO DE CALVINO AO EVANGELHO DE JOÃO 3.3

 
NOVO NASCIMENTO: A PRIMEIRA ENTRADA NO REINO DE DEUS

 "A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus" (João 3.3).

   Em verdade, em verdade te digo   A expressão em verdade é duplamente repetida. Isso, porém, é feito com a intenção de despertá-lo a uma atenção mais interessada. Porque quando ele estava prestes a falar do mais importante e significativo de todos os assuntos, considerou necessário atrair a atenção de Nicodemos, que de outra forma poderia ter passado por todo esse discurso de maneira superficial ou descuidada. Esse, então, é o desígnio da dupla afirmação.

Embora este discurso pareça forçado e quase deslocado, foi com a mais absoluta propriedade que Cristo iniciou sua fala  desse modo. Ora, assim como é inútil semear em um campo que não foi preparado pelo trabalho do lavrador, também não adianta espalhar a doutrina do Evangelho, se a mente não tiver sido previamente subjugada e devidamente preparada à docilidade e obediência. Cristo percebeu que a mente de Nicodemos estava permeada de muitos espinhos e sufocada por muitas ervas nocivas, de modo que mal havia espaço à doutrina espiritual. Esta exortação, portanto, assemelhava-se o um arado para o purificar, a fim de que nada o impedisse de se beneficiar com a doutrina. Lembremo-nos, portanto, que isso foi dito a um único indivíduo, de tal maneira que o Filho de Deus se dirige a todos nós diariamente na mesma língua. Pois qual de nós dirá que está tão livre de afeições pecaminosas que não precisa tal purificação? Se, portanto, desejamos fazer um progresso bom e útil na escola de Cristo, aprendamos a começar neste ponto.

    Se alguém não nascer de novo   Isto é, enquanto você estiver desprovido daquilo que é da mais alta importância no reino de Deus, pouco me importa que me chame de Mestre. Porque a primeira entrada no reino de Deus é tornando-se um novo homem. Mas como esta é uma passagem notável, será apropriado examinar cada parte dela minuciosamente.

   Ver o reino de Deus   Possui o mesmo significado de  entrar no reino de Deus, como perceberemos imediatamente a partir do contexto. Mas estão enganados aqueles que supõem que o reino de Deus significa Céu. Antes, porém, ele significa a vida espiritual, que é iniciada pela fé neste mundo, e aumenta gradualmente a cada dia de acordo com o progresso contínuo da fé. Portanto, o significado é que nenhum homem pode estar verdadeiramente unido à Igreja, de modo a ser contado entre os filhos de Deus, até que tenha sido previamente renovado. Esta expressão mostra brevemente qual é o início do Cristianismo e, ao mesmo tempo, nos ensina que nascemos exilados e totalmente alienados do reino de Deus. E, também, que existe um estado perpétuo de desarmonia entre Deus e nós, até que ele nos torne completamente diferentes por meio do novo nascimento, pois a afirmação é geral e abrange toda a raça humana. Se Cristo tivesse dito a uma pessoa ou a alguns indivíduos, que eles não poderiam entrar no céu a menos que tivessem nascido de novo anteriormente, poderíamos supor que eram apenas certos personagens que foram apontados. Todavia, ele fala de todos sem exceção. Porque a linguagem é ilimitada e tem a mesma importância de termos universais como estes: Quem não nascer de novo não pode entrar no reino de Deus.

Pela frase nascer de novo é expressa não a correção de uma parte, mas a renovação de toda a natureza. Daí se segue que não existe nada em nós que não seja pecaminoso, pois se a reforma é necessária no todo e em cada parte, a corrupção deve ter se espalhado por toda parte. Sobre este ponto, em breve teremos oportunidade de falar mais amplamente. Erasmo, adotando a opinião de Cirilo, traduziu indevidamente o advérbio grego por de cima, e a cláusula ficou traduzida assim: a menos que um homem nasça de cima. A palavra grega, eu reconheço, é ambígua, mas sabemos que Cristo conversou com Nicodemos na língua hebraica. Não haveria, então, espaço à ambiguidade que ocasionasse o erro de Nicodemos e o levasse a escrúpulos infantis sobre um segundo nascimento da carne. Ele, portanto, entendeu que Cristo não disse outra coisa senão que um homem deve nascer de novo, antes de ser admitido no reino de Deus.

   João Calvino  
John Calvin Commentary: John 3.3. Disponível em: https://www.ccel.org/study/John_3.
Tradução: J. A. Lucas Guimarães

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