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Destaques

LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

J. A. Lucas Guimarães ┐ ♥ ┌ Sob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21,  intitulada: JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?”   Esboços de retratos calvinianos O rganizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, encontra-se a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta literatura legada à posteridade, com a íntegra apresentação do Evangelho de Cristo pela fiel exposição bíblica. Porque já se distanciam os limites dos 500 ano...

✢ SERVETUS APOIA CALVINO EM JORNAL

J. A. Lucas Guimarães *

Faz parte de minha rotina de historiador folhear os antigos jornais em formato digital, disponibilizados no Brasil, principalmente, pela Biblioteca Nacional através de sua plataforma: memoria.bn.br. Entre os achados que interessam ao Blog Calvino21, pelo conteúdo sobre João Calvino, é uma resposta ao artigo do reverendo Vicente Themudo Lessa de um leitor. Chama a atenção o fato dele assinar o texto como Servetus, um dos envolvidos no assunto de sua resposta, que foi publicado no Pacotilha (Jornal da Tarde), com sede no Maranhão, em edição nº 278, de 23/11/1907. Segue extrato do texto publicado e transcrição:

Excerto: texto "Calvino". Jornal Pacotilha (1907)
Fonte: memoria.bn.br

Estou em perfeito accordo com o revd. Themudo, quando diz no seu artigo de hontem:
«Condemnado Servet á fogueira, Calvino e seus amigos intervieram, pleiteando pela decapitação, morte menos violenta, mas não foram atlendidos.»
O que convém, porém, registrar, é a resposta que deu Servet quando lhe foram dar essa noticia, prova irrecusável de que, optando por lhe dividir o corpo em 2 pedaços, Calvino, longe de ser um malvado, era ao contrario, uma pomba sem fel. Diz um pesquizador que, ao receber a consoladora nova, Servet dissera: 
«O diabo que escolha; a mim tanto rende seis como meia duzia!» Servetus.

[ Estou de pleno acordo com o rev. Themudo, quando diz no seu artigo de ontem:
“Condenado Serveto à fogueira, Calvino e seus amigos intervieram, pleiteando pela decapitação, morte menos violenta, mas não foram atendidos.
O que convém, porém, registrar é a resposta que Serveto deu quando lhe foram dar essa notícia, prova irrecusável de que, optando por lhe dividir o corpo em dois pedaços, Calvino, longe de ser um malvado, era, ao contrário, uma pomba sem fel. Diz um pesquisador que, ao receber a consoladora nova, Serveto dissera: 
“O diabo que escolha. A mim, tanto rende seis como meia dúzia.” Servetus ]

Portanto, se Miguel Serveto [em latim, Servetus] no século XVI não concordava em nada com João Calvino, o Servetus teleportado pelo leitor ao início do século XX, ao contrário, mediava seu apoio às ideias do articulista em sua defesa da ausência de maquinação calviniana na condenação de sua morte à fogueira. Por certo, o que houve foi a fabricação de arrogância em molde de orgulho pelo réu, de modo a resultar em produção de beligerante e danada inclinação à propaganda de questionamentos às pétreas temáticas da doutrina cristã. Na época, elas se encontravam sob proteção de penalidades centenárias, dadas por jurisprudências acatadas nos reinos cristãos sob juramentos e observadas na totalidade de suas províncias. Serveto poderia ter continuado suas notáveis pesquisas no ofício da medicina. Em fuga de executa de sentença pelo mesmo motivo que o condenou à morte, refugia-se em Genebra, a cidade refúgio aos perseguidos por professarem a sã ortodoxia da pregação protestante. Ela é refúgio para renovo e começo, sob proteção da irmandade de uma sociedade cristã protestante. Não era refúgio à suspensão de qualquer sentença ao delituoso, pois dela muitos foram exilados, dada à execução dessa sentença penal. Era cidade refúgio e não de refugo. Não era abrigo para fora da lei à lei de fora e nem para justiceiros, mas aos injustiçados, sob risco de morte pela perseguição por professarem a fé somente em Cristo, base da pregação reformada.

Para alguns, Serveto poderia figurar como padroeiro da liberdade de expressão em virtude de seu martírio no uso dela. No entanto, o posicionamento dele não pode ser qualificado como busca de liberdade de expressão. Ele empreende a defesa de um tratado teórico, nos moldes usados na época, com vista à comprovação e superação do pensamento vigente, vencido o embate teórico. Portanto, a obra de Serveto não resulta da busca pela liberdade de expressão. Ela é uma elaboração teórica de denúncia da falácia da doutrina cristã, em destaque através dos escritos de Calvino, e apresentação formal de substitutivo. Diferentemente dos reformadores, que atuaram no campo da hermenêutica (doutrina correta, mas interpretação errônea), ele caminha no espaço da dogmática (falsa doutrina, devido a concepção errada de conceitos).

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* J. A. Lucas Guimarães é historiador e organizador do Blog Calvino21.

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