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LANÇAMENTO: LIVRO "JOÃO CALVINO: QUEM DIZEM QUE SOU?"

J. A. Lucas Guimarães ┐ ♥ ┌ Sob empréstimo da pergunta de Jesus aos discípulos foi publicada a décima obra da Coleção Calvino21,  intitulada: JOÃO CALVINO: “QUEM DIZEM QUE SOU?”   Esboços de retratos calvinianos O rganizada pelo historiador e teólogo J. A. Lucas Guimarães, encontra-se a convicção de que a relação de seu contexto original com as identificações à pessoa de João Calvino desde sua morte, não é mera coincidência. Se lhe fosse oportuno um lance de existência atual, é possível que ele fizesse semelhante indagação, apesar de seu desinteresse por ela em sua existência. Desse modo, tem início o empenho de disponibilizar a verdade histórica da identidade e identificação de João Calvino: advogado, um dos principais líder da Reforma Protestante do século XVI, pastor na cidade de Genebra e escritor cristão, com vasta literatura legada à posteridade, com a íntegra apresentação do Evangelho de Cristo pela fiel exposição bíblica. Porque já se distanciam os limites dos 500 ano...

✢ IDELETTE: TESOURO OCULTO DE CALVINO

Lidice Meyer P. Ribeiro *

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Diz a Bíblia que quem acha uma esposa acha um tesouro (Pv. 18.22), com valor acima de finas joias (Pv. 31.10). Tesouros são guardados a sete chaves. A esposa de João Calvino foi tão bem guardada que muitos nem sabem de sua existência.

Calvino entrou para a história como o reformador mais taciturno, introvertido e de poucos amigos. Mas foram estes amigos que o incentivaram a se casar após os 30 anos. O estopim foi o pedido de demissão de sua governanta, cansada do mau humor de Calvino e de seu irmão Antoine. Foram muitos os encontros arranjados entre Calvino e moças de boa educação e posição social, mas este não se agradou de nenhuma.

Foi então que Martin Brucer lembrou-se de uma recém-viúva com um casal de filhos pequenos: “E a amável Idelette?” O esposo de Idelette, Jean Storder havia falecido da peste. Ambos eram anabatistas recém-convertidos ao calvinismo. Idelette se enquadrava perfeitamente no padrão estabelecido por Calvino e compartilhado a Farel: “virtuosa, obediente ao invés de arrogante, econômica, paciente e que eu possa contar que ela cuide de minha saúde.” E ainda mais, era bonita! Calvino passou a cortejá-la e dentro de um ano propôs-lhe casamento. Na cerimônia estiveram presentes diversos líderes do governo de Estocolmo, onde moraram por um ano antes de se mudarem para Genebra. Levaram consigo Judith, filha de Idelette, e deixaram o menino sob o cuidado de parentes.

Idelette se tornou a companheira ideal para Calvino: cuidava dos afazeres domésticos possibilitando que ele se dedicasse aos estudos e às reuniões, encorajava-o nos momentos de tristeza e desânimo, orava junto com Calvino e o acompanhava nas caminhadas à Cologny e à Bellerive. Apesar do baixíssimo salário de Calvino (equivalente a mil reais anuais, doze medidas de milho e doze barris de vinho), Idelette nunca se negou a receber refugiados e os amigos Farel, Beza e Viret em sua casa. Quando Calvino estava doente, era ela quem assumia a visitação aos enfermos, orando com e por eles. Por tudo isso, Calvino a chamou de “ajudante fiel em seu ministério e a melhor amiga em sua vida.” Certa vez, estando ausente de casa, em um debate teológico em Regensburg afirmou: “Dia e noite a minha esposa está em meus pensamentos.” Os filhos que Idelette e Calvino tiveram não sobreviveram por muito tempo. Apesar das más línguas que atribuíam a morte das crianças à um castigo divino por terem se afastado do catolicismo, o casal se consolava dizendo que embora não tivessem filhos naturais, tinham milhares de filhos espirituais.

Após nove anos de um casamento de muita cumplicidade, Idelette adoeceu gravemente. Sua preocupação maior eram os filhos, os quais confiou a Calvino: “Eu já os entreguei nas mãos do Senhor, mas eu bem sei que você não abandonará aqueles a quem eu tenho confiado ao Senhor.” Seu último pedido foi que Calvino orasse com ela, após o que descansou em 5 de abril de 1549.

Calvino sofreu imensamente com sua perda e confidenciou aos amigos Farel e a Viret: “Eu perdi aquela que nunca me teria abandonado, fosse em exílio ou na miséria, ou na morte. Ela foi uma preciosa ajuda para mim. A melhor das companheiras foi tirada de mim.” Anos após a morte de Idelette Calvino ainda sentia sua falta: “Eu sei por experiência própria, quão dolorosas e devastadoras são as feridas causadas pela morte de uma excelente esposa. Quão difícil tem sido para mim governar os meus sofrimentos” (carta a Valenville). Calvino cumpriu sua última promessa a Idelette e cuidou de Judith até seu casamento, esteve ao seu lado durante seu processo de divórcio e apoiou seu segundo matrimônio.

Idelette de Boer e João Calvino: uma relação de amor e cumplicidade guardada dos olhares do mundo e revelada apenas aos amigos mais chegados.

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* RIBEIRO, Lidice Meyer P. O tesouro escondido de João Calvino. Revista Ultimato Online. Opinião: Perfis da Reforma Protestante. Disponível em: https://www.ultimato.com.br/conteudo/o-tesouro-escondido-de-joao-calvino. Acesso em: 15/01/2023.
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