“Visto que é na Igreja que Cristo
mantém a sede de seu reino, do lado de fora da Igreja outra coisa não existe
senão o domínio de Satanás. Portanto, aquele que é eliminado da Igreja,
necessariamente cai, por algum tempo, sob a tirania de Satanás, até que se
reconcilie com a Igreja e retorne a Cristo” – João
Calvino, Comentário as Cartas Pastorais
A tradição antiga já se
pronunciava: “Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tem a Igreja como
mãe” (Cipriano, séc. III). Alguém testemunhou que deixou a Igreja porque não
encontrou graça nela. Porém, para ela retornou pois mesmo não encontrando graça
na Igreja pelo menos nela é possível encontrar. No mundo nem possibilidade existe!
Talvez você seja
uma pessoa que foi traumatizada pela Igreja, ou possa ser que seja alguém que
traumatiza a Igreja! A relação com a Igreja é inevitável para quem deseja viver
a fé em Cristo. Apesar daqueles que afirmam a fé orgulhosos de sua autonomia da
Igreja, a dinâmica do discipulado de Cristo envolve o ajuntamento de pessoas
chamado nos ensinos de Jesus e dos apóstolos de “Igreja”. É interessante que
Cristo afirma sua morte pela Igreja e não pelo indivíduo desprovido de qualquer
intenção de promover o bem do espaço possibilitador da graça divina (Ef. 5.
25-27).
Calvino
qualifica a Igreja como a sede do reino de Cristo. Isto significa,
primeiramente, aceitar que Cristo assume seu reinado sobre um espaço, uma
realidade. Segundo, que esse espaço pode ser identificado no tempo e no espaço.
E, por último, que a sede do reinado de Cristo encontra uma realidade
antagônica, onde se vive a privação desse reinado.
Calvino entende
a Igreja como um corpo de pessoas que professam a fé em Cristo com sinceridade
de consciência e demonstração de amor, e é governada por homens
reconhecidamente envolvidos de piedade. Essa Igreja assume marcas que a torna
capaz de, em qualquer espaço ou circunstância, se proclamar como verdadeira
igreja. Essas marcas são: a fiel pregação da Palavra, a correta administração
dos sacramentos e o exercício da disciplina em amor.
Vê-se que como
sede do reinado de Cristo, a Igreja encontra-se sob o domínio de Cristo. O
cristão que exalta a Cristo como assentado a direita de Deus, com todo poder e
autoridade, deve procura os meios legais e espirituais para denunciar o mal
quando ele lançar seus tentáculos contra a Igreja, e buscar a edificação do
corpo através do seu ajustamento para a glória de Deus. A exclusão da Igreja
não é apenas como se fosse a desassociarão de um clube. A exclusão da Igreja,
nesse caso através da marca da disciplina (mas pode ser pela alienação de sua
comunhão e graça), é uma decisão espiritual com consequências espirituais. Fora
da Igreja encontra-se o domínio do inimigo. Não existe outra alternativa ou
possibilidade! As portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja (Mt.
16.18). Fora da igreja as portas do inferno prevalecem!
O domínio do
inimigo prevalece até a reconciliação do cristão com a Igreja, a sede do domínio
de Cristo. Retornar a igreja é, para Calvino, prova do retorno a Cristo e do
destronar do reino do mal.
É a partir da
Igreja que Cristo reina e estende seu reino sobre nossa vida, família e
sociedade. Não se pode pensar que outra estrutura possa servir para a vivência,
proclamação e ampliação do reino de Cristo senão pela Igreja.
O ato visível de
nosso retorno a Cristo é a reconciliação com a Igreja. Quem retorna a Cristo encontra
o caminho para os braços da Igreja. Quem se reconcilia com a Igreja, abraça a
Cristo e seu governo! Calvino segue a fé que nos foi dada uma vez para sempre.
Cremos como ele cria: a Igreja é a mãe dos fiéis!
J. A. Lucas Guimarães
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