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Destaques

CRUZ DE CRISTO: MÃO E PODER DE DEUS QUE SOCORREM

“ E da mesma maneira também os príncipes dos  sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus,  escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si mesmo não  pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e  creremos nele. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama;  porque disse:  Sou Filho de Deus. E o mesmo lhe lançaram  também e m rosto os salteadores que com ele estavam  crucificados.”  — Mt. 27.41-44 Sejamos advertidos e andemos no temor de Deus para que depois de termos provado a sua Palavra possamos recebê-la com reverência e obedeçamos ao nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos é apresentado ali. Porquanto, é também nele verdadeiramente que encontraremos toda a perfeição das virtudes, se nos achegarmos a ele em humildade. Porque se presumirmos e brincarmos com Deus, nossa audácia deve receber tal recompensa, como lemos aqui desses homens miseráveis que foram tão conduzidos por sua fúria. No entanto, devemos tirar algum pr...

✢ EVANGELHO: DOUTRINA DE VIDA

J. A. Lucas Guimarães

“Porque o evangelho não é uma doutrina de língua, mas de vida.”João Calvino, As Institutas.

Fala-se muito em levar a Igreja de volta ao Evangelho. É desconcertante perceber que para muitos essa volta ao Evangelho significa afirmação de determinado sistema de crença. Agem assim. Uma vez decidida em uma comissão e vencida a guerra da hermenêutica, descansam sobre o documento da crença formulada. Daí, voltam para suas casas como que com o dever cumprido até a próxima luta por levar de volta a Igreja ao Evangelho.
O evangelho é uma doutrina. Isto significa que ele é norma de fé e prática que convém sistematizar para melhor compreensão e divulgação. Não se tem dúvida do valor da doutrina. A questão é que, conforme ressalta Calvino, o evangelho não é uma doutrina de língua. Evangelho que é bonito apenas no documento e padece de pleno envolvimento com a dimensão do discipulado, evangelização e comunhão cristã é estranho para os herdeiros da vocação cristã.
Já conheci muitos mestres de “doutrina de língua”. Eles se levantam como o último baluarte da fé cristã e promovem embates em favor de uma ênfase. Sentem-se escolhidos para tal batalha e “conservador” da última fragrância da verdadeira fé. Todavia, se esquecem que o evangelho é doutrina de vida. Os mestres que defendiam a fé na igreja antiga não somente eram revestidos de piedade, mas plenamente possuidores do evangelho na vida de forma a pastorear as ovelhas do Senhor mantendo o olhar vigilante nos lobos, e não as abandonando desprotegidas numa busca doentia de eliminar todos os lobos. Os mestres que defendiam a fé na igreja antiga transformavam o saber em devoção e a devoção em saber. Sua defesa e escritos perpetuaram-se como verdade dentro da dinâmica da fé cristã, pois sua doutrina não era de língua. Eles traziam no intelecto a força de seu coração, e no coração a força de seu intelecto. De forma que foram mestres porque ensinavam ao povo a doutrina que eles mesmos viviam: o evangelho. O próprio João Calvino é um exemplo. Ele usou sua intelectualidade para aprofundar a piedade (é bom lembrar que a palavra piedade para Calvino é muito cara, e sua prática é um tesouro!). Na defesa do santo tesouro, ele mais e mais se envolvia com a igreja e a ela devotava seu melhor: a fiel exposição da doutrina da vida – o Evangelho. Mas não somente expõe. Calvino vive cada pregação, vive cada comunhão, vive cada doutrina, vive toda a piedade! Ele é mestre e aprendiz. Aprende na Escola do Espírito – a Bíblia, e ensina na Escola de Cristo – a Igreja.
É chegado o tempo dos mestres e dos discípulos se converterem ao evangelho como experiência doutrinária de vida. Não adianta tanta propaganda cristã, sem a luz da vida que, através da fé em Cristo, produz boas obras para a glória de Deus.
No último dia dirão a Jesus: “Mas nós pregamos o teu nome (através do evangelho doutrina de língua)”. E Jesus dirá: “Apartai de mim!” Cristianismo de boca não tem a aprovação de Deus!

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